29ª PARASHÁ ACHAREI MOT (DEPOIS DA MORTE) E 30ª PARASHÁ KEDOSHIM (SAGRADOS)

Essa semana temos novamente uma porção dupla fazendo uma abordagem sobre “santidade e ser sagrado”. 

Alguns pensam que para uma pessoa tornar-se ‘sagrada” ela deve desistir do que acontece no mundo a sua volta – viver isolada, vestir-se de uma maneira diferente das outras pessoas, fazer jejum e passar o tempo rezando e meditando.

Na verdade, para a Cabala, a Santidade pode ser revelada no dia a dia, através das relações entre pais e filhos, marido e mulher, entre irmãos, entre vizinhos, patrão e empregado, homem e comunidade, povo e governo. Quando preparamos nossa comida, cuidamos de nossas casas, vamos ao mercado, realizamos nosso trabalho e nos relacionamos com as pessoas de forma ética e amorosa, nós nos tornamos sagrados.

Só podemos nos aproximar da Luz através da equivalência de desejos. Quem deseja ser feliz, deve primeiramente tornar feliz seus semelhantes.
 
“NÃO TE VINGARÁS E NEM GUARDARÁS ÓDIO CONTRA OS FILHOS DE TEU POVO, E AMARÁS O TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO; EU SOU O ETERNO” (SÊFER VAYICRÁ 19:18)
 
Kedoshim é uma Parashá muito especial que contém a frase “ame ao próximo como a si mesmo”. Sobre este ensinamento disse Hilel, grande sábio e líder espiritual, que exerceu suas atividades no início do reinado de Herodes: “AÍ ESTÁ TODA A TORÁ. O RESTO É MERO COMENTÁRIO.” 

Note que na estrutura da sentença, a primeira parte pede que amemos aos outros, enquanto a segunda parte sugere que o façamos da mesma forma como nos amamos.

A percepção fragmentada que temos do mundo, nos faz pensar que cada pessoa é uma entidade por si só, completamente independente das outras pessoas, mas isto é uma percepção equivocada da realidade.  

Dentro do conceito de Unicidade, toda vez que a pessoa faz mal ao outro, parte deste mal também o atinge, por causa da parte de sua alma que está contida no outro. É por este motivo que a Torá nos ordenou “Amar ao próximo como a si mesmo”, para nos ensinar que o outro é parte de nós.


Nunca podemos ignorar o fato de que em nosso âmago carregamos uma centelha do Criador. É através do amor incondicional e um profundo respeito pela centelha de Luz  existente em toda Criação, que nos tornamos sagrados e nos aproximamos da Luz.
 
Shavua Tov!

Cristina Torres

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